Pai e Filhos
“Eis aqui
o que geralmente
os filhos pensam do pai :
-aos sete
anos : — Papai
sabe tudo ! Ele
um sábio !
-aos quatorze anos : — Acho que
o papai muitas vezes
se engana naquilo que
diz.
-aos vinte anos : — Papai
está um pouco
atrasado em suas
teorias . Ele
não é desta época !
-aos vinte e cinco : — O “velho ”
não sabe nada ...
Realmente está caducando...
-aos trinta: — Talvez fosse bom
discutir esse
assunto com
o “velho ”... Talvez
ele possa me
aconselhar .
-aos quarenta e cinco : — Pena que o pobre “velho ” tenha morrido! Na verdade ,
ele tinha
uma clarividência notável .
-aos sessenta: — Pobre papai , ele era um sábio !
Lastimo tê-lo compreendido tão tarde !”
(Transcrito de um quadro que meu Pai tinha em seu consultório .)
Por Glaci Ribeiro da Silva
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Casa Racionalista Cristã de Campinas - Biografia |
Nas aulas de Farmacologia (do grego , phármakon,
substância química
usada como medicamento
e, logia, estudo )
que tive durante
meu curso
médico , os professores
punham muita ênfase
em demonstrar
cientificamente e, através de uma lógica inquestionável
(mais adiante
explicarei que lógica
era essa), a total
ineficiência da terapia
homeopática . Isso
foi muito enfatizado na época
por se encontrar
entre os estudantes
uma farmacêutica , uma senhora
de quase sessenta anos ,
dona de uma famosa
farmácia homeopática
em São
Paulo, que decidira estudar
medicina .
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[Ver
o capítulo “O receituário
do Racionalismo Cristão
e a ciência médica
atual ”, que
se encontra no primeiro
volume de Racionalismo Cristão
e ciência experimental. Cotia: Íbis,
2004. p. 119-128.]
Hipócrates (460-375
a.C.) foi o fundador da escola
de Cós , na ilha
onde nasceu. Ele
interpretava as doenças dentro do quadro
específico que
era peculiar
a cada paciente ;
para ele , não havia doenças ,
mas , sim ,
doentes ; as reações
de defesa dos pacientes
eram respeitadas e nelas ele baseava sua terapêutica .
Sendo um exímio observador – qualidade
imprescindível de um
bom médico
– e, analisando as pessoas que o procuravam em
busca de ajuda ,
ele classificou os princípios
curativos que
usava para sanar os males de seus pacientes em três tipos principais :
1.Vis medicatrix naturae: assim era chamada a Força
da Natureza . Essa força
teria o poder de acionar
os mecanismos de defesa
do organismo (leia-se, o sistema imunológico) sem
nenhum auxílio
exterior . Nesse caso ,
a conduta do médico
deveria ser de espera , pois a própria natureza encontraria os caminhos
e meios para restabelecer o equilíbrio
perdido (ou seja, a homeostasia ).
2. Contraria contrariis curantur: aqui se encontra
a base da terapia
medicamentosa, que mais
tarde foi chamada
alopatia ; nela, as doenças
deveriam ser tratadas pelos
seus contrários ,
os seus antagonistas
– os remédios . A farmacopéia
hipocrática compunha-se de mais de 300 remédios , a maioria
vegetais , com
propriedades purgativas, eméticas,
diuréticas, sudoríferas, anti-inflamatórias, etc.
3. Similia similibus curantur: foi essa a base da homeopatia , segundo a qual ,
o tratamento deveria ser
feito com
substâncias semelhantes
àquelas que produziam a doença .
Dava-se muita importância
à alimentação saudável ,
aos exercícios físicos ,
às massagens e aos banhos ,
principalmente os de mar . No dizer de
Hipócrates: “A doença
é produzida pelos semelhantes
e, por estes ,
o doente retorna
à saúde . Deste modo ,
o que provoca a estrangúria(2)
que não
existe, cura a que
existe. A tosse , assim
como a estrangúria, é causada e curada pelo mesmo agente .”
(2) Palavra de origem
latina usada na antiga
medicina que
significa eliminação urinária vagarosa (oligúria) e acompanhada de dor (disúria).
Aristóteles, discípulo de Platão
e considerado o maior filósofo grego (embora
tenha nascido na Macedônia ), foi o primeiro a reconhecer a unidade corpo —alma . Dizia ele :
“Toda a realidade
tende à perfeição , possuindo em
si mesma
um princípio
ativo capaz
de conduzi-la à perfeição ”. Segundo
os seguidores da homeopatia
esse dito
denota que também
Aristóteles acreditava na Força da Natureza .
Hipócrates foi o
iniciador da terapêutica e dos fundamentos da clínica
médica . Com
justa razão
ele é considerado o "pai da medicina ".
A influência
hipocrática persistiu ativa até pouco depois da decadência
da Grécia. Durante todo
o período em que Roma dominou o mundo
, houve uma estagnação da ciência médica , uma decorrência
direta da filosofia
de vida desse povo
ocidental que
sempre esteve mais
preocupado em
manter sua unidade territorial
e aumentar seus
domínios .
Na Era Cristã, surgiu Galeno (138-201), a primeira grande
figura médica
da época . Formado na tradição
hipocrática, ele foi o líder da escola
de Cnido. Ele defendia uma fisiologia bem mais elaborada e, ao contrário
do que acreditava Hipócrates, concebia a
alma como
somática , pertencente ao corpo , ou seja,
material como
ele . Na verdade ,
Galeno tinha concepções
filosóficas e condutas médicas completamente opostas às da escola
de Cós . Para
a escola de Cnido, havia doenças a serem tratadas e, para
a escola de Cós ,
havia doentes
e não doenças .
A terapêutica de Galeno era
alopática e sua
característica marcante
é o polifarmacismo, ou seja, o uso de remédios ,
de medicamentos ou
substâncias ativas .
O modelo médico
galênico persistiu por quinze séculos e foi adotado tanto
pelos médicos
cristãos quanto
pelos islâmicos .
A cristianização do Ocidente , com sua nova concepção
da vida e da morte
e a sacralização do cadáver , resultou
numa quase total
estagnação dos conhecimentos médicos . Essa
situação manteve-se inalterada até fins do século dezoito, quando
houve uma mudança significativa
nesse panorama , com
o surgimento da homeopatia .
A Alemanha foi o berço da homeopatia e o seu criador foi Christian Friederich Samuel Hahnemann
(1755-1843), um médico
nascido na Saxônia , que
na época fazia parte
do Império Germânico .
Desde a infância
ele mostrou uma enorme
fome de saber ;
foi alfabetizado por seu pai , e deve
a ele preciosos
ensinamentos , tais
como : — Nunca se deve ouvir ou
aprender sem questionar . E mais : —
Deve-se sempre pensar
por si
próprio .
Hahnemann foi muito influenciado
pelos filósofos pré-cristãos, especialmente por
Hipócrates, Platão e Aristóteles. Tinha também um grande amor pela botânica , o que posteriormente
motivou seu interesse
pelas propriedades curativas de várias plantas .
Hahnemann acreditava também na idéia hipocrática do poder curativo da natureza
– o vis medicatrix naturae. Dizia ele : “Os poderes da natureza
frequentemente realizam rápidas e
belíssimas curas (...). Doenças graves freqüentemente melhoram sozinhas (...) também em afecções crônicas
este maravilhoso
poder de cura
realiza a autodefesa ”.
Nesse trabalho , ele
reconhecia três métodos
para lidar com as doenças
humanas:
1- remover ou
destruir o que
a está causando: essa foi, e continua sendo, a maior
aspiração de qualquer
médico ;
2- remover os sintomas
que elas
causam usando remédios de efeito oposto a eles (Lei dos contrários ); tratar , por exemplo , acidez estomacal com alcalinizantes, dor
com analgésicos ,
febre com
antitérmicos , etc. Todos
esses remédios
são paliativos
e o tratamento é chamado pela medicina oficial de “sintomático ”,
pois visa somente os sintomas ;
a grande maioria
dos remédios produzidos pela indústria farmacêutica são
desse tipo . Hahnemann chamava-os “remédios temporários ”;
ele admitia que
eles fossem usados para
minorar o sofrimento do paciente ,
mas somente até que fosse
diagnosticada a causa da doença ;
3- usar o remédio
capaz de produzir
artificialmente uma doença
semelhante àquela que
se quer combater
(Lei do semelhantes ).
Foi Hahnemann o criador dos termos homeopatia e alopatia para
denominar os métodos
de prescrever segundo
as leis dos semelhantes
ou dos contrários ,
respectivamente . Essas duas palavras vêm do grego :
homoion, similar ; alloion,
diferente ; e pathos, doença .
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À luz da lógica ,
isso parecia um
completo absurdo !
Daí ter ele
encarado sua descoberta
como uma revelação
divina . Para nós , espiritualistas ,
essa idéia surgiu provavelmente através de uma intuição , fato que freqüentemente ocorre com
certos cientistas .
Dando continuidade aos seus estudos , ele
verificou ainda que ,
além da atenuação, os poderes medicinais
aumentavam também com
a trituração e a sucussão (do latim , sucussione,
ação de sacudir ). Ao conjunto desses processos
Hahnemann chamou “potencialização” isto
é, tornar uma substância ativa mais potente para a cura e menos potente para danificar
o organismo .
O que
empiricamente Hahnemann deduzira é conhecido
atualmente como
a “Lei de Arnt-Schultz”, que , na época , ainda não havia
sido definida . Essa lei
diz o seguinte : “A célula
reage aos estímulos que
recebe de acordo com
a intensidade deles: os de pequena intensidade
estimulam a atividade vital ; os de grande
intensidade , a inibem e os maiores , a destroem.” Os estímulos
mencionados nessa lei podem ser de vários tipos ; no caso
dos medicamentos , eles
são químicos .
O fundador da moderna
medicina experimental – Claude Bernard (1813-1878) –
já tinha
ciência dessa lei
da inversão do efeito
de cura , porém ,
foi Hahnemann em 1796, bem
antes portanto
do nascimento de Claude Bernard, quem a
observou e desenvolveu a metodologia para usá-la.
A homeopatia é fundamentada basicamente em quatro princípios :
1o - semelhante cura semelhante ;
2o - uso de somente uma única substância ativa ;
3o - uso
de doses infinitesimais ;
4o - potencialização da substância ativa .
O causador da maior polêmica para a aceitação da homeopatia pela comunidade médica
– constituída na sua grande maioria por alopatas –
é o terceiro desses princípios ,
ou seja, o uso
de doses infinitesimais .
As diluições da substância
ativa usada por
essa modalidade terapêutica
– e que resultam nas chamadas doses mínimas ou infinitesimais – são
de tal ordem
que quimicamente se torna
impossível detectar
nelas uma molécula que
seja dessa substância .
E é a
Na década de 80, os cientistas Bernard Poitevin e Jacques Beneviste
fizeram várias descobertas importantes na área
da homeopatia . Poitevin, médico
homeopata e pesquisador ,
propôs a Beneviste, um imunologista muito respeitado, avaliar a
atividade biológica das grandes diluições
através de testes
laboratoriais comumente usados em
imunologia.
O uso da água
fluidificada recomendado pelo Racionalismo
Cristão , e que
muito apropriadamente
foi chamado fluidoterapia por Antônio Cristovam Monteiro, pode dar
apoio à hipótese
acima . Segundo
esse autor ,
a estrutura da água
seria modificada pelos fluidos espargidos pelo Astral Superior
durante o processo
de sua fluidificação, fazendo dela um
verdadeiro tônico
para o nosso corpo físico .
Ao analisar esse
assunto no capítulo
“A água
fluidificada e seus segredos ”,do
livro Racionalismo
Cristão e ciência
experimental, aventamos a hipótese de ser o sistema imunológico o órgão-alvo da água fluidificada.
A água é uma substância de suma importância
no nosso planeta
e sem ela
a vida não
existiria na Terra ; ela
é também a substância
mais abundante
do nosso corpo
– o de um adulto
de 70 kg tem cerca
de 45 litros de água .
É, portanto , muito
provável que
alterações na estrutura da água possam exercer uma atividade tônica ,
e até mesmo
terapêutica , no nosso
organismo , que
lançaria mão do sistema
imunológico como uma ferramenta para produzir tais efeitos . Isso
explicaria também o maior
êxito da terapia
homeopata na criança
por ser o conteúdo hídrico do seu
corpo ainda
maior do que
no do adulto .
Na concepção homeopática ,
a enfermidade resulta de mudanças num padrão de energia
ou “força
vital ”; essa força
é a base de todos
os fenômenos físicos ,
emocionais e mentais ;
ela é também
individual , ou
seja, a força vital
difere em suas
características de indivíduo
para indivíduo .
A finalidade da terapia
homeopática é estimular
os níveis de energia
da pessoa .
De acordo com a doutrina racionalista cristã, o Universo
é composto de Força
e Matéria , sendo a Força ,
ou Inteligência
Universal , o elemento
vital , criador
de tudo quanto
existe. Cada corpo
vivo contém uma partícula
parcelada dessa Força , que se utiliza dele para fazer sua evolução , sua ascensão . Logo ,
não existem seres
iguais na natureza ,
pois a partícula
da Força que
os move, dá-lhes vida e incita-os é
individualizada. Esse parcelamento da Força
pode ser bem observado no ser humano , sendo fácil
constatar que
existem categorias variadas de criaturas que
diferem entre si
por parâmetros
intelectuais , mentais ,
instintivos , por
hábitos , usos
e costumes .
Analisando-se o exposto nesses dois últimos parágrafos ,
não é difícil
concluir que
a Energia ou
Força vital
da filosofia homeopática
nada mais
é do que a Força
Universal . Seria esse
também o motivo
de a terapia homeopática
precisar ser individual , pois cada ser humano , de acordo
com seu
grau de evolução ,
tem características próprias e expressa doenças
de um modo
que lhe
é peculiar . Por
isso , a conhecida
máxima “Não
existem doenças , existem doentes ” é valorizada igualmente
nessas duas filosofias , a racionalista
cristã e a homeopática .
O médico George Vithoulkas nasceu em
Atenas (Grécia) em 1932 e, atualmente , mora
na ilha grega
de Alonissos. Ele começou a estudar homeopatia na África do Sul e deu continuidade aos seus
estudos em
várias instituições homeopáticas da Índia . Em 1967,
ele começou a dar
aos médicos atenienses
aulas de medicina
homeopática , naquele tempo um assunto quase desconhecido na Grécia. Em
1996, pelos seus
esforços para
elevar a homeopatia ao nível de verdadeira ciência ,
ele recebeu do Parlamento
Sueco o “Prêmio Nobel de Medicina
Alternativa ”.
Vithoulkas é atualmente o mais
articulado líder do moderno
movimento homeopático .
Ele tentou identificar
a força vital
descrita por Hahnemann com o campo eletromagnético do corpo ,
usando a expressão “plano
dinâmico ” para
indicar o nível fundamental onde
a doença se origina. Em
sua teoria ,
o plano dinâmico
caracteriza-se por um
padrão de vibrações
que é único
para cada indivíduo . Estímulos
externos ou
internos afetam o ritmo
de vibração do organismo ,
e essas mudanças geram sintomas físicos , emocionais
ou mentais .
Vithoulkas acredita que cada remédio está associado a um certo padrão de
vibrações que
constitui sua própria
essência . Quando
o remédio é tomado, seu
padrão de vibração
ressoa com o padrão
de energia do paciente
e, desse modo , induz o processo
de cura . O fenômeno
de ressonância parece ser
fundamental na terapia
homeopática , mas
o que é que
ressoa exatamente e como
essa ressonância é ocasionada ainda não foi devidamente esclarecido .
A força intranuclear do espírito
exprime-se por movimentos
vibratórios . Esse
tipo de movimento
gera ondas concêntricas em torno do seu ponto de origem . Um bom exemplo para ilustrar isso são os círculos concêntricos
que se formam quando
mergulhamos e fazemos vibrar uma vareta numa bacia
com água .
Portanto , o que
Vithoulkas denomina de plano dinâmico de vibração ,
que é típico
de cada ser humano , nada mais é do que o
próprio espírito .
Conforme mostraremos a seguir ,
considerando-se essa premissa baseada nos princípios da doutrina
racionalista cristã, o mecanismo de ação
da terapia homeopática
pode ser facilmente explicado.
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