Fenomenologia psíquica e fenômenos físicos: ampliando horizontes – Por Dra. Glaci Ribeiro da Silva

(...) Os que apenas se restringem a apreciar os fenômenos físicos, fechando o raciocínio à análise de fenomenologia psíquica, possuem uma visão bem estreita das coisas espirituais. A dialética desses seres girando dentro de um círculo de acanhadas dimensões, desaparece diante do vasto cenário ocupado pela ciência psíquica. (...) (Racionalismo Cristão, 42. ed., p. 211.)

Lamentavelmente, a mediunidade – uma das mais importantes faculdades do espírito – tem sido um tema muito pouco estudado pela ciência oficial.

O médium é um elemento de ligação entre o plano físico e o psíquico; quanto mais sensível ele for, maiores serão suas possibilidades de captar vibrações do espaço; essas vibrações podem ser de diferentes tipos e, a cada vibração que for captada, um fenômeno correspondente será produzido.

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A mediunidade é inata em todos os seres humanos e manifesta-se através de várias modalidades. A do tipo intuitiva está presente em todos os humanos, sua intensidade, porém, varia de indivíduo para indivíduo, pois ela vai sendo lapidada, aperfeiçoada de encarnação em encarnação.

As manifestações da faculdade mediúnica variam de indivíduo para indivíduo, de acordo com o seu temperamento, o sistema nervoso, o sentimento que o anima, a sensibilidade e o grau de evolução.

Além da intuitiva, existem também outros tipos de mediunidade tais como a olfativa, a auditiva, a psicográfica, a de incorporação e a vidente.

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O médium vidente é capaz de captar as vibrações da luz astral, enquanto as retinas dos olhos humanos captam somente as vibrações da luz solar. Isso explica por que alguns cegos, cujas retinas são incapazes de captar vibrações da luz solar, sejam, no entanto, dotados de vidência. Por esse mesmo motivo, a vidência ocorre tendo o médium tanto os olhos fechados como abertos.


O vidente é capaz de descrever a figura exata de uma pessoa ausente ou já falecida, que lhe é totalmente desconhecida; ele faz dela uma descrição minuciosa – seu porte, feições, atitudes e gestos habituais – identificando enfim a pessoa que, no entanto, é visível somente para ele.
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Figuras ilustrativas mostrando outros tipos possíveis de visão astral encontram-se no livro racionalista A vida fora da matéria (ver bibliografia).
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Esses tipos são variados, tais como manchas luminosas e formas geométricas coloridas, vultos e silhuetas humanas, carantonhas escuras e ameaçadoras, diferentes tipos de animais e auréolas de cores variadas envolvendo seres vivos – as auras.
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A aura é uma emanação da Força Criadora; ela existe em todos os corpos vivos dos três reinos da natureza e pode ser vista pelos médiuns videntes. Ela é mais densa junto à periferia do corpo e, a partir daí, vai gradativamente se diafanizando.

Os videntes iniciantes somente vêem a porção mais densa da aura; porém aqueles com vidência mais apurada e desenvolvida conseguem ter dela uma visão mais detalhada.
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A coloração da aura varia conforme a evolução dos seres vivos. Nos minerais, a cor é praticamente constante; já nos vegetais a aura é mais diferenciada e tem maior variação cromática; nos animais inferiores a variação das cores áuricas é maior ainda; neles, elas também se alteram de acordo com seu estado de saúde;
de acordo com a situação do momento, ou seja, se estão calmos ou irritados, se estão com medo e, de acordo com seu estado nutritivo, sua idade, etc.

Mas é no reino hominal que a aura apresenta sua maior complexidade; os seres humanos possuem uma grande variedade de cores áuricas, e através dela se pode avaliar o grau de evolução de um indivíduo, suas tendências, índole, inteligência, capacidade de raciocínio, sensibilidade e, até, a natureza dos seus pensamentos.

Cor e, até mesmo, forma podem também ser observados nos nossos pensamentos.
Esse assunto foi relatado pelo Mestre Luiz de Mattos – codificador da Doutrina racionalista cristã – no seu livro Cientistas sem Ciência e foi transcrito na sua íntegra em um artigo publicado recentemente na Gazeta do Racionalismo Cristão (ver bibliografia).

A sinestesia é descrita como uma síndrome que tem caráter familiar e ocorre em cerca de 0,05% da população. Pessoas com sinestesia podem ter a sensação de que paladares possuem formas, e que aromas poderiam ser capazes de induzir sons.

Os cientistas acreditam que sua etiologia está ligada ao cruzamento de conexões entre diferentes centros de processamento cerebrais; poderiam estar envolvidos, por exemplo, os processos emocionais e a percepção de odores.

Recentemente foi publicado na revista científica Cognitive Neuropsychology um estudo sobre uma moça britânica de 19 anos que afirmava ver cores em determinadas pessoas; rodeando algumas delas, por exemplo, a jovem enxergava uma luz púrpura. Além disso, como foi constatado em testes laboratoriais, para ela nomes de pessoas queridas e certas palavras carregadas de emoção também tinham um brilho colorido. O nome do seu namorado, James, por exemplo, ela enxergava em letras cor-de-rosa, e termos negativos, como “ódio”, apareciam-lhe em tons de marrom e cinzento.

Traduzida do inglês, e transcrita abaixo, está a interpretação dada pelo autor desse artigo sobre os interessantes fatos que ele teve oportunidade de estudar:
A habilidade que algumas pessoas possuem de ver auras coloridas em outras vem ocupando através do tempo um papel importante no folclore e no misticismo.
Embora muitas pessoas que reivindicam ter esse poder possam ser charlatões, é possível também que outras tenham nascido com o dom da sinestesia. Não acreditamos que essa paciente tenha poderes místicos, no entanto, não parece difícil imaginar como esse tipo de interpretação possa ter surgido em diferentes épocas e culturas. Ao invés de assumir que as pessoas tenham auras e campos magnéticos, que somente podem ser detectados por câmeras fraudulentas ou observadores treinados, nós preferimos explicar o fenômeno através da sinestesia. No entanto, nesse campo ainda são muito raros os estudos sobre a conexão entre sentimentos e percepção de cores.

Como se pode verificar, por não possuir uma mentalidade aberta, não conseguir ver aquilo que sua paciente via, e principalmente por preconceito, o cientista perdeu uma boa oportunidade de estudar seriamente um fenômeno psíquico.

A razão capital que afugenta tantos sábios desse tipo de investigação é que tais fatos estão aparentemente contra as leis naturais que já foram catalogadas e reconhecidas. E, ao admitir isso, um sábio, um homem da ciência faz a si próprio uma confissão da estreiteza do horizonte mental que possui.

Existe aí também o medo que pessoas medíocres têm de ser diferentes do seu grupo, da sua comunidade; e, para os cientistas, isso significa enfrentar uma árdua luta com seus pares, pois a ciência oficial costuma ser intransigente com os visionários.

Essa problemática, que sempre esteve presente na ciência oficial, foi comentada nos idos de 1920 pelo Dr. Alberto Seabra – um notável médico paulista dono de uma mentalidade aberta e corajosa – no seu livro O problema do além e do destino (ver bibliografia).

Os fenômenos psíquicos devem ser estudados com larga tolerância e curiosidade, mas façamo-lo sem artifício, sinceramente, afastando a verdade da impostura, afugentando a ilusão e procurando o real, selecionando os fatos autênticos, procurando extrair-lhe a seiva e rejeitando os que forem de duvidosa autenticidade. Não há fatos contra fatos, nem leis naturais contra leis naturais, nem verdade contra verdade. Será simplesmente um fato novo mas que não irá invalidar os outros que já foram demonstrados.

Bem ciente disso estava, também, o corajoso e intrépido Dr. Antônio Pinheiro Guedes, que, ao tratar da gênese da alma em seu livro Ciência espírita e fazer várias considerações sobre a ciência materialista, afirma:

Fiz essas considerações [...] também para exteriorizar, como um refletor, as emoções do meu espírito previdente, assistindo como observador antecipado, às peripécias que o embate destas teorias e doutrinas há de provocar, em todos os arraiais materialistas e espiritualistas.

Tanto Alberto Seabra como Pinheiro Guedes – dois espíritos muito evoluídos – fazem parte da Plêiade do Astral Superior. O livro Ciência espírita, de Pinheiro Guedes, foi escrito no fim do século XIX e nele encontra-se grande parte da filosofia seguida pela Doutrina racionalista cristã.

É preciso ter a coragem, a ousadia de homens como esses para que a ciência possa evoluir. E evoluirá, certamente, pois a lei da evolução é universal e imutável.

Esperemos, assim, que no alvorecer desta era – a Era da Espiritualidade – os cientistas aprendam a ver o que para eles parece invisível, pois, conforme diz o ditado: o pior cego é aquele que se recusa a enxergar. (Nota de rodapé:  Tema desenvolvido no capítulo “A ciência médica e a nova era espiritualista”, deste livro)

Bibliografia

A VIDA fora da matéria. 21. ed. Rio de Janeiro: Centro Redentor, 1996. A aura: p. 31-34.
GUEDES, A. Pinheiro. Ciência espírita. 8. ed. Rio de Janeiro: Centro Redentor, 1992. Gênese da alma humana: p. 131-136.
MATTOS, Luiz de. As cores e as formas do pensamento. Gazeta do Racionalismo Cristão. Disponível em dezembro 2004 em  http://www.racionalismo-cristao.org.br/gazeta
Disponível em 10/03/2005
SEABRA, Alberto. O problema do além e do destino. 3. ed. São Paulo: Pensamento, 1927. O sistema nervoso e os sentidos: p. 41-47.
SILVA, Glaci Ribeiro da. Racionalismo Cristão e ciência experimental. Cotia: Íbis, 2004. O papel da mediunidade no avanço da ciência: p. 119-127.
WARD, Jamie. Emotionally mediated synaesthesia. Cognitive Neuropsychology, 2004, 21 (7) 761-772.

Fenomenologia psíquica e fenômenos físicos: ampliando horizontes
Por Dra. Glaci Ribeiro da Silva

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